por Kenia Dias
Aula teórica com Cacá Brandão.
Cartografia.
O mundo é um espelho.
O alquimista e o cartógrafo têm amor pela natureza.
Henrique IV: tudo está em tudo e tudo é o mesmo.
Shakespeare e g. Bruno: universo, acasalamento do espírito com a matéria. Soneto 53: “A tua substância é igual do mundo”.
Os que regem A Tempestade: Caliban: terra-carne; Ariel: espírito.
A descrição do mundo do cartógrafo é espiritualizada.
Pneuma: é materializado e sempre sujeito á corpofificação.
Mapa: materialização do espírito.
Conhecimento da natureza e conhecimento de si próprio.
Mapa:
metáfora prática
Espiritualização do mundo
Materialização do espírito
Processo alquímico
Não é um produto geográfico, mas alquímico.
Alquimia hoje: pensamento por imagem, por comparação. Ligar, comparar campos de conhecimento diversos.
Criar laços entre o nosso tempo e o de Fra Mauro.
Para arendet: 1° instrumento de alienação: quando fecharam os campos agrícolas;
2°: criação do telescópio: atrofia a visão e o imaginário.
Construção a partir de pressupostos: construção de mapas: representação do tempo; descreve uma história, um tempo, um espaço.
Mapa medieval: éden, paraíso...o mapa era pensado como história religiosa, fantástica./
Fra Mauro está pintando uma história.
Século VII a XIII: os mapas ilustravam livros de história (copistas medievais). O mapa vem para explicar os acontecimentos.
Século XIV, XV:
O mapa vem para explicar a partir de relatos de viajens e ganham pela bússola, astrolábio, telescópio. Começam a ter avolumada a descrição física do mundo.
Século XVII: a partir daí a descrição física passa a ser única.
MAPA é diferente de CARTA
O mapa nomeava descrições textuais, era o relato da viajem e as cartas eram os diagramas de rotas, por exemplo, cartas de metrô.
Século VIII a XI: as fontes dos cartógrafos eram textos herdados da antiguidade clássica (Ptolomeu). Sentenças, frases bíblicas, lugares santos.
Século XV: relato dos viajantes. O que servia eram as estrelas.
A partir do séc. XIV: portulano: textos, relatos de viajantes.
Para os monges: o mapa servia para fantasia. Sonham com peregrinações sem sair de suas celas.
GEOGRAFIA DA ALMA
MAPA = ALUCINÒGENO
No renascimento: o mapa representa o mundo humano com suas geografias celestes e para suscitar imagens do mundo e providenciar discursos. Acentua-se muito o imaginário fantástico.
Os mapas serviam como devaneio, maravilhamento!
Mapa e texto; imagem e relato: interagiam sempre.
SÉC. XIV: as cartas náuticas começam a delinear o físico, as costas.
Mapas celestes
Caos dos céus vira cosmos: harmonia: dar um sentido para as coisas.
Aulas nos mosteiros: mapas.
Pergaminho e mapa: nessa transição se sociabiliza o mapa.GLOBO: literalmente símbolo de poder.
Livro de Fra Mauro: signo de um lugar
Murano: trabalho de vidro.
A palavra é algo que desperta elementos táteis, visíveis.
Vidro: alquimia, a cidade tem muitas cores, varal com roupas, a arte do vidro é feita até na rua.
p. 33: “eu especulo”. DECIFRAÇÃO do universo a partir do exame da natureza. O mapa de uma certa forma é uma ilusão.Tudo é signo.
p. 43: “Meus mapas são elaborados para transmitir uma ilusão”. O imaginário move a realidade. Falta de divisão entre o real e o imaginário, o dentro e o fora.
p. 49: O meu mosteiro é o mundo. Para o viajante o mundo é o mosteiro.
Pensar na força da alquimia ao longo do texto. O cartógrafo é como um fabulador. Abertura ao desconhecido e não a um dogma.
P. 117/125: o que conta não é o relato, mas o que ele evoca. Encanta o coração e amente do espectador através da dramaturgia.
Pensar no sabor das coisas
p. 72: É um conhecimento trêmulo, não é sempre positivo.
p.82: sabor da descoberta.
Quais seriam os nossos chifres de unicórnio de hoje? A busca pela juventude poderia ser uma das respostas?
Para o renascentista a informação é diferente do conhecimento. A maneira de pensar não é delimitada por fronteiras.
Mundialização é diferente de globalização. O eu de Fra Mauro se estabelece com o outro. O eu de hoje, da psicologia se estabelece entre eu e eu. Em Fra Mauro é: eu sou os outros.
p. 113: o mundo é feito do nosso encantamento com ele.
Dúvidas do cartógrafo: O que é realidade e o que é delírio? Como conciliar o debate do viajante e da solidão do mosteiro? Como conciliar o debate entre a imagem e a palavra?
Corpo
Refúgio de valores
Suporte da história
Da miniatura
O mundo se escreve no corpo
O canibal come uma terra simbólica
O mapa sou eu
A nudez possui sua própria latitude e longitude
Fra mauro, tmb, é um tatuador
Receitas e mais receitas.
Há 17 anos
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