por Mariana Arruda
Tempestade. Vento desenha sobre o mar. Chamado dos deuses sem voz. Homem-mortal sem ar pede socorro. Deusa egípcia sai da pintura rupestre. Desenhista, com sua luz-prisão, tenta voltá-la para a grafia. A deusa cega sente o mundo pelas pontas de seus dedos. Mortal a chama com sons de tambores metálicos. Ela escuta sua dor e de sua boca saem as vozes dos espíritos do mar aprisionados pelo vento. As entidades entram no mortal sem voz e tomam conta de seu ventre como porcos. Deusa entrega sua face ao vento e ganha olhos que vêem e falam. O mortal vai ao seu encontro e, cego pela luz dos olhos egípcios, a sente com suas mãos.
Texto à partir da criação de Bia/Tales/David (02/06)
Há 17 anos
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