segunda-feira, 9 de junho de 2008

O corpo do desenho

por Mariana Arruda

Não, solidão, hoje não quero me retocar
Nesse salão de tristeza onde as outras penteiam mágoas
Deixo que as águas invadam meu rosto
Gosto de me ver chorarFinjo que estão me vendo
Eu preciso me mostrar
(Chico Buarque. “A mais bonita”)


Desenhadora de corpos se purifica em banho de lama para ritual do dia. Do outro lado margem, chama, em canto sagrado, a escolhida da tribo, que abandona sua forma bico e atravessa o rio. No colo da desenhadora, mulher acalma seu grito interno ouvindo um canto visceral da Terra Sagrada. Em paz, entrega seu corpo aos desenhos de sua origem ancestral.
Desenhada, mulher vira boneca. Num salão de embelezamento, torna-se o corpo a ser enfeitado naquele dia. Duas arrumadeiras a preparam para a vida.
Pronta, em altos saltos, conhece homem-boy que dança e se despe sob seu olhar apático.


Texto à partir da criação de Mariana/Tais/Jacquie (02/06)

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