por Mariana Arruda
Num porão escuro, cartógrafo deitado sobre chão de madeira envelhecida, sob luz de velas, roga o fim de sua vida dedicada a mapas. Sua aprendiz entrega-lhe a caixa do mapa sagrado – sua mais sublime criação. Ele, em delírios, manda-a afastar-se e destruí-lo. Ela argumenta em vão. Ele fecha os olhos e ignora qualquer palavra ou toques.
Jovem aprendiz coloca caixa sobre a mesa e, ao abri-la, sente-se jogada ao chão. Da caixa pulam monstros e seres encantados representantes de terras e mares distantes. Os desenhos do mapa sagrado fogem de seu suporte-pergaminho e escondem-se pelo porão. Enfeitiçadas, as vozes das grafias gritam pelo cartógrafo em sons jocosos, sons do bem e do mal. Inconsolada, a aprendiz lamenta: “A tinta borrou o mapa e eles fugiram”.
*Um olhar sobre a improvisação de voz (29 de maio)
Há 17 anos
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