por Bia Campos
1) Eu estou agachada com as duas mãos tocando o chão.
David grita em francês: “Hors du nouvel ordre mondial.”
Bato forte com as mãos no chão pedindo silêncio.
David diz: A morte é o fim de tudo?" Dá uma pausa e continua: "Procuramos, até aos confins da Terra, por algo que já morreu a um mês, um dia ou até mesmo um minuto antes..."
Pergunto pra ele: “Você acredita que esta entidade seja o demônio?”
David vem na minha direção e diz: "Precisamos lidar com este sentimento de que se tivéssemos decidido agir mais cedo, talvez teríamos descoberto...(corre até o meu umbigo e diz:)...aquilo que procurávamos.
Respondo sem entender: “Ninguém pronuncia o seu nome sem o medo da morte”. Repito a mesma frase mais alto e com raiva.
2) Estávamos todos passando por debaixo da barra de ferro que existe na sala numa velocidade normal e soltando alguns gemidos. Toda a sala passou em fila por debaixo da barra. Andamos um pouco pela sala. Parei em um determinado momento e todos ficaram em fila lado a lado. Nos entreolhamos. Falei um texto de “O sonho do cartógrafo” que já estou trabalhando para a pessoa do meu lado: “Você acredita que esta entidade seja o demônio?”. Ela não entendeu muito bem. Sussurrei em seu ouvido a seguinte frase: “Ninguém pronuncia o seu nome sem o medo da morte.” Foi então que surgiu um telefone sem fio e as pessoas passaram essas duas frases adiante. Parecíamos um monte de velhos e velhas falando sobre um acontecimento estranho. Dentro da confusão de vozes e palavras, comecei a acusar algumas pessoas dizendo: “Você é o diabo!”. Fui puxando a fila até que ela virou uma roda onde todos nós nos acusávamos e ríamos ao mesmo tempo. O exercício acaba com Camila no centro da roda sendo tocada e acusada por nós.
Há 17 anos
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