domingo, 1 de junho de 2008

Sensações da semana dos testes

por Thiago Prata

10/03/2008
São 3h20 da manhã. Durante meses procurei este livro. Por semanas tentei lê-lo. Mas somente agora começo a absorvê-lo. Divido-me na vontade de continuar e na preocupação de acordar. Minha mãe bate à porta e descontrola-se com o fato de eu estar acordado a esta hora. Percorre à minha mente, sem parar, várias lembranças. Algumas vem a tona. Um treinamento que ministrei ano passado, em que por duas semanas durmia as 2, 3 ou 4 horas para acordar as 6. Tento lembrar se naquela época também senti medo. Acho que não. Volto à minha “cela”. Busco nas referências de Fra Mauro o meu mundo. Sinto-me por alguns momentos seu companheiro de viagem. Desejo continuar, mas o sono surge. É preciso respeitar os meus limites (Nisso, lembro-me das batidas à porta e chateio-me) Será que um dia ela entenderá as minhas condições?

11/03/2008
são 00:06h. Releio o que escrevi ontem e analiso o que ainda está em mim. Percebo que muitas sensações de quando estava entrando no teatro universitário se repetem. É como se fosse um renascimento, um momento, uma oportunidade de recomeço. Impressionante como as experiências no t.u. têm vindo à tona. Tento aproveitá-las ao máximo, examiná-las com mais clareza. Apesar de muitas coisas que foram ditas na “conversa” hoje, principalmente pelo Chico, eu já ter previsto, as repassei. Mesmo tendo definido quais são minhas prioridades para este ano, tenho tido dificuldade na relação com as prioridades diárias. Nas pequenas coisas é que tenho vacilado. Tento compreender razões e motivos, causas e conseqüências. As vezes tento simplesmente não querer compreender, mas simplesmente realizar o que é preciso. A tarde pensei como seria escrever agora, quando sei que haverá uma espectadora para as minhas linhas. A caneta começou deslizando tão honesta e despreocupada que perdi o interesse de transcrever sobre esse assunto. Tenho sentido energias diferentes nestas semanas, que ainda não sei explicar. Mas sei adiantar que estou numa trajetória de atingir um equilíbrio interno. Dificilmente tenho irritado comigo mesmo. Tenho reagido com a mesma serenidade a erros e acertos, considerando-os como situações distintas que levam ao conhecimento e aprendizado. Mas ainda tenho me irritado facilmente com algumas pessoas. Principalmente com as mais próximas. E hoje comecei a suspeitar que é, ora pelo fato de estar com dificuldades de dizer NÃO quando necessário, e ora pelo fato de elas não aceitarem minha posição ser diferente as delas. Nisso “a voz” novamente abre a porta e me cobra por estar acordado a esta hora. Poderia dizer que uma conversa resolveria. Mas cansei de parar, sentar e conversar pacientemente as mesmas coisas e ter a sensação de não ser ouvido ou entendido. Mas também não quero brigar. Então termino a frase, fecho o caderno e vou durmir.

12/03/2008
São 00:42h. Hoje fiquei sem vontade de escrever. Mas quis pegar o caderno para escrever pelo menos isso. Mas abrindo e anotando últimas palavras foi despertando o desejo. Hoje tivemos trabalho vocal. Tento entender o porque me bloqueio quando é inserido a voz no trabalho. Talvez porque penso e no pensar vem o travamento. Me senti menos otimista hoje. Tento esquecer ou entender o que a Kenia disse sobre o diário. Agora fiquei sem a espectadora que tinha acabado de ganhar. Ou talvez...
Penso se vou querer entregar. Comecei essas anotações sem qualquer pretensão, a não ser para comigo mesmo. Não mudou muito o fato de a Kenia ter solicitado. Mas ter uma espectadora foi algo que tive medo de alterar a direção de minhas anotações. Começo a ver que isto já é um fato, independente de entregar a ela ou não. Mais tarde cheguei a conclusão de que só vou entregar se houver um desprendimento da minha parte. Quero anular qualquer indicio de vaidade em entregar essas anotações. Essa tarde fiquei um pouco desanimado. Almocei muito devagar e demorei a engrenar. Começo a pensar se talvez por esse desânimo não queria também escrever agora a noite. Ter que fazer algumas escolhas está me deixando ansioso. Resolvi faltar esta semana no cursinho para me concentrar e restabelecer conexões. Segunda feira vou poder de vez fechar meus planos para 2008. A possibilidade de fazer o oficinão está sendo importante para achar o eixo das coisas. Peço a Deus que encaminhe o que for o melhor para mim. Estou mais animado para amanhã. Uma conversa com meu pai me trouxe de volta. Fui buscar apoio. É que hoje, uma possibilidade remota ameaçou a me deixar de fora. Vou aceitar e entender o que Ele me responder, mas quero poder fazer minha parte e fechar o ciclo esta semana.

14/03/2008
01:19h
Não escrevi ontem. Fiquei a noite preparando a cena, selecionando textos e etc e quando terminei só queria saber de durmir. Incrivelmente hoje sai de cada as 8:11h. Ah relendo o dias anteriores, percebi que não havia mencionado. Segunda e terça, acordei no mesmo horário: 8h11m. Qual não foi minha surpresa na terça quando acordei e vi a mesma hora no relógio. Hoje quando fui olhar o relógio quando ia sair de casa, percebi que tinha algum jogo comigo em relação a esta hora. Só não consegui ainda perceber qual. Acho que hoje estou tendencioso a querer escrever coisas dos outros dias. Não que não falte coisas sobre hoje. Pelo contrário. Hoje tenho tantas coisas a dizer, mas não sei como começar. Penso na minha semana, nas coisas que consegui perceber em mim mesmo nesses dias de oficina. Percebo que diminui meu ritmo no estágio. Faltei as aulas no cursinho. Quero achar a balança para equilibrar isso. É possível? Acreditar basta? Creio que não. E por isso vou atrás de soluções. As encontro, mas ao pesar as três coisas, me surpreende o valor encontrado à massa que cada um corresponde. Bom, vou durmir... estou caindo sobre o teclado.

Nenhum comentário: